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.: Mauro Gama :.

Casas à noite

Casas à noite com a noite
das turvas Evas das trevas.
Com os uivos com as ovas
dos ruivos trevos nas covas
seus insetos seus dejetos
seus trêmulos arquitetos
de decompostas artérias.

Estão mais mansas as moças
nesse arremedo de férias
já não têm troças nem tranças
se estagnaram são poças
onde revives molusco
de foscos músculos ranço
de visgo e cal manipanso
em que ficaram as marcas
das três Parcas de seu travo
seus requebros seus agravos
nas turvas Evas das trevas.

Notas as covas não notas?
Não vês na noite nas botas?
São dez são cem são destroços
de teus medos e teus ossos
não valem nada são rotas
esfareladas e ainda casas
com noites rasas e vasas.

Casas com as asas incertas
ou abertas de um amor cego
de maus ofegos morcegos
que investem o apuro no escuro.
Para que o mútuo veludo
onde urge e se afunda tudo
onde não sabes que corte
de dráculas nos aguarda
com as fauces rubras de morte
a farda negra a alma tarda?

Notas as brasas não notas?
Ferem as moitas da noite
engulhos olhos abrolhos
e estão mais moças as mansas
velhas sem dentes e tranças.

Tudo se esconde nos bondes
que cortam o precipício
desde o teu fim ao início
com suas lâmpadas acesas
e tilintares e rezas
já tão além de teu rasto
de teu pasto de teu ranço
manirroto manipanso
junto aos uivos junto às ovas
das turvas Evas das trevas.

Trevo de trevas e entraves
te despetalas e estalas:
és essas Evas que calas
és teu estofo de mofo
és essas trevas que levas.

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