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Catálogo da Imprensa Alternativa

Breve comentário sobre o acervo

O acervo Imprensa Alternativa foi doado, em 1992, ao Arquivo da Cidade pela Fundação RIOARTE, órgão da Secretaria Municipal das Culturas/Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Foi acumulado por iniciativa de Maria Amélia Mello, coordenadora do Centro de Cultura Alternativa, criado em 1980, quando era presidente daquela fundação o escritor José Rubem Fonseca. A intenção do Centro ao acumular este conjunto de periódicos foi o de “catalogar o que produziu o país na imprensa alternativa e na produção cultural independente nos anos 60/80.” (RIOARTE, 1982, p1).
De acordo com a idéia que embasava as ações do Centro, a expressão cultura alternativa remetia, no Brasil, ao final da década de 1960 e início da década de 1970, época em que começaram a surgir, em todo o país, manifestações culturais localizadas fora dos circuitos comerciais de produção e distribuição e, sobretudo, avessas ao espírito desses circuitos tradicionais. Segundo, ainda, o pensamento do Centro, imprensa, literatura, cinema, teatro, música enfrentaram nesse período condições adversas que acabaram por representar um marco importante e reflexivo na história da cultura brasileira. Neste sentido, para esse órgão, um enfoque crítico da realidade sócio-políticocultural dos anos de autoritarismo passaria inevitavelmente pelo estudo dessa produção. (RIOARTE, 1984, p2).
Foram conceituados como imprensa alternativa pelo Centro de Imprensa Alternativa e Cultura Popular do RIOARTE, além dos periódicos que contestavam diretamente o regime de exceção imposto a partir de 1964 e os que constituíam veículos de movimentos e correntes de esquerda, também os que não possuíam meios de comunicação de massa, que pensavam de forma independente, que não estavam ligados a esquemas governamentais ou econômicos e que não aceitavam o autoritarismo dominante não só na política, mas nos costumes, no comportamento, na linguagem, nos valores, propondo novos conteúdos e uma diagramação arrojada para época.
Assim sendo, o corpo técnico do Centro de Cultura Alternativa divulgou nos jornais de grande tiragem do país e efetuou contatos por correspondência ou mesmo pessoalmente, — tendo sido enviadas mais de 2 mil cartas a intelectuais, artistas, jornalistas, críticos, entre outros , — seus objetivos de guardar para a posteridade tudo o que tivesse sido ou estivesse sendo publicado dentro dos parâmetros citados. Obteve imediata repercussão na mídia, resultando na doação de cerca de 5.000 peças, entre jornais, livros, discos, revistas, recortes, fitas, arte postal, quadrinhos, folhetos e cartazes.
Para organizar o conjunto expressivo de publicações recebidas o Centro de Imprensa Alternativa e Cultura Popular elaborou um instrumento de pesquisa em que estão relacionados todos os jornais, revistas, cadernos, boletins, suplementos e folhas, trabalho coordenado por Leila Miccolis e Marcos Augusto Gonçalves, com a assistência de arquivo de Luís Moreira, e que intitularam Catálogo da Imprensa Alternativa.
Posteriormente, quando a equipe de Documentação Escrita e Especial do Arquivo da Cidade empreendeu a classificação e notação dos periódicos para guarda e acondicionamento nas caixas, verificou-se que 118 títulos indicados no catálogo do RIOARTE não constavam do acervo, perdas que ocorreram talvez pelo fato deste conjunto documental ter ficado muito tempo submetido a precárias condições de guarda. Por outro lado, 735 títulos de publicações não se encontravam relacionados no catálogo. Podemos aventar que não foram incluídos por terem sido recebidos após a conclusão do mesmo, já que integravam o conjunto. Fez-se necessário, então, a elaboração de um segundo catálogo, nos moldes do anterior, reunindo todos os títulos existentes no acervo, excluídos os que constavam da primeira relação, mas não foram localizados no universo documental sob a custódia do Arquivo da Cidade.

Cumpre observar que adotamos a metodologia empregada na elaboração do catálogo inicial, pois consideramos que os verbetes contendo os dados essenciais sobre cada publicação facilitam em muito o trabalho do pesquisador. Assim, graças ao trabalho pioneiro da equipe do RIOARTE — somado ao trabalho desenvolvido pelo corpo técnico do Arquivo da Cidade, temos hoje todo o conjunto documental Imprensa Alternativa identificado, classificado, acondicionado adequadamente e aberto à consulta pública mediante agendamento na página eletrônica da instituição.

Disponibilizamos on-line os periódicos listados em ordem alfabética. Publicações iniciadas por artigos definidos estão organizadas segundo a letra inicial do título subseqüente. Ex: Amigo do Povo, O; Batalha, A; Pasquim, O. Cumpre acrescentar que no jornal Totem, número onze, há levantamento da imprensa alternativa existente à época (década de 1970) e o catálogo UAPS — What It's all about divulga uma relação de publicações da imprensa alternativa ao redor do mundo (1979).

Sandra Horta
Gerente de Pesquisador
Yama Arruda
Estagiário (História)

 

Alguma Poesia
Revista, off-set, com cento e doze páginas, formato 15 X 16cm, Rio de Janeiro, RJ. Tiragem: 3.000 exemplares. O número um é datado de junho de 1978 e tem capa bicolor; o número dois, de abril de 1979, possui capa plastificada. Direção de editoração: Márcio R. Schiavo e Carlos Lima. Editora de arte: Maria Moreira. Do Conselho Editorial constam: Eugênio Bressane, Octávio Mora, Márcio Chavadian. Entre os inúmeros colaboradores estão: Fernando Py, Sandra Pacheco, Elisabeth Veiga, Alcides Buss, Raimundo Caruso, Leila Miccolis, Glória Perez, Afonso Henriques Neto, Claudios Portugal, Alan Roberto de Oliveira, Lindolfo Beli, Roberto Bozetti, Denise Teixeira Viana. “Revista de poesia e crítica poética: tem como caráter específico apresentar poesias de autores nacionais, mas pretende, ao mesmo tempo, a cada número, divulgar a poesia de autores estrangeiros." Publicação político-literária.

 

Carta Geral
Publicação mimeografada, a princípio variando de nú;mero de páginas (uma e duas) e de formato. O número 1 é de fevereiro de 1980 e mede 22 X 16cm; o número 2, impresso de um só lado, tem duas páginas, sendo uma de formato ofício e a outra de 1,5cm, menor; os números de 3 a 6 são de tamanho ofício e, a partir do número sete, adota folha tamanho ofício dobrada em três partes (tipo folder), bimestral, Manaus, AM. Até o número 6 constam como editores: Marçal Bezerra e Girão de Alencar; a partir do número sete, Marçal Bezerra, Mariazinha Trindade. Entre os colaboradores: Cláudio Feldman, Marise Pacheco, Sidney Sanctus, Raymundo Filho, Euclides Amaral, Marília Zenker, Luiz Sérgio de Viveiros, Ruth do Carmo, Alcides Buss, Griselda Carvalho, Denise Teixeira Viana, Aricy Curvello, Geraldo Alverga. O número 1 é datado de fevereiro de 1980, com periodicidade regular, bimestral. Contém notas, poesias, ilustrações e as assinaturas são pagas em selos para remessa. Publicação literário-poética.

 

Folhetas
O número um (sem indicação de data) é tipo folder (folha de 30,5 X 14cm dobrada em três partes), com ilustração policrômica na capa, off-set, divulgando exclusivamente poesia e tendo como corpo de colaboradores: Jefferson Zanchi, Osnar F. Silva, José Luiz Moreira, Wagner Redher, Paulo Henrique Bernardes, Argemiro Teixeira, Mococa, SP. O número 2 (de junho/1980) passa a ser jornal formato mini-talóide, com seis páginas, aberto também ao conto, publicidade, teatro. Editor: Silas Nogueira. No número 4 (abril/1981) passa a ser órgão do Grupo de Teatro Experimental Qorpo Santo, Jefferson Zanchi assumindo com Silas a edição e tornando-se responsável no número 6 (de out/nov/1981). Entre os inúmeros colaboradores e correspondentes constam: Elais José, Glauce Mara, João Batista da Silva, Denise Teixeira Viana, Luís Fernandes da Silva. Contém poesia, coluna infantil, literatura de cordel, teatro, artigos sobre negros, índios. Jornal cultural e literário.

 

Leia Amigos
Publicação de divulgação, mimeografada, em preto e branco, formato 33 X 22cm, uma página. Edição: Denise Teixeira Viana. Editado no Rio de Janeiro, RJ. O jornal faz a divulgação de outros jornais e de boletins, livros, revistas e associações de escritores, com endereço e outras informações.

 

Novos na Poesia
Publicação, mimeografada, formato 16,5 X 10,5cm, com vinte e quatro páginas, João Pessoa. PB. Editor: Luiz Fernandes da Silva. Entre os participantes constam: Carlos Araújo, Hélio Lete, Marcelo Dolabela, Eugênia Cunha, Pedro Augusto, Davi Ricardo, Denise Teixeira Viana. O número 2 é de julho de 1981. Contém poesias e ilustrações. Publicação literária, exclusivamente poética.

 

Papel de Pão, O
Jornal, off-set, formato 32,5 X 23,2cm, variando de quatro a doze páginas, Itabira, MG e Rio de Janeiro, RJ. “Expediente de padaria”: Domingos Gonzalez Cruz, Luiz de Andrade Muller, Fanuel Júnior. Entre os colaboradores constam: Denise Teixeira Viana, Antônio Basílio, Eduardo Kac, Wanilton Cardoso Affonso, Walmir Nunes. A cada número aumentam os “auxiliares de padaria”, havendo, no número três, um conselho formado por Getúlio B. Maia, Sebastião Drummond e Julieta Drummond A Muller. O número um é datado de outubro de 1982. Contém contos, poesias, crônicas, humor, fotos, publicidade. Publicação cultural.

 

Semente
Publicação, mimeografada, no início de um só lado, grampeada, variando de onze a vinte páginas, tamanho ofício. Responsabilidade: Cláudia e Luiz Antônio (Luís). O número zero é de janeiro de 1978. Começou em Santos, mas a partir do número 6, de julho de 1980, mudou-se para São Paulo. Desde este número, passou a ter uma página chamada Passeata (ver verbete correspondente), com informações de imprensa nanica e endereços de poetas independentes, folha esta que, posteriormente, tornou-se publicação autônoma. A partir do número sete, teve capa policrômica. Tem numerosos colaboradores por todo o Brasil, entre eles: Brasigóis Felício, Adelar Finatto, Denise Teixeira Viana, Jurandir Schmidt, Gijo, Leila Miccolis, Luiz Fernandes da Silva, Luiz Sérgio Viveiros, Floriano Martins, Cirineu Cardoso, Charles Kiefer, Dirceu Quintanilha, Tony Bel. Contém textos, notícias, ilustrações, poesia. Revista com predominância poética, dando também destaque ao naturismo, índio e ecologia (chegando a distribuir semente de plantas em cada número, presa com durex).

 


Catálogo da Imprensa Alternativa