me desvia no amplexo
complexo de Édipo Eletra
me magnetiza de descarga
delito detrito
me pendura na jura
de olho mágico e fechadura
me caçoa à toa tabaroa
me arrasta
nefasta gasta de vergasta
me tira vergonha de cegonha
me embroma
me desvencilha de pilha
filha palmilha
me endereça
cobrança de aliança
me imobiliza
sou feminina sibilina fina
me embriaga na baba
no belo de idear castelo
me despeja
sou autora autista ateísta
me cheira
à beira da hemorragia
no zelo de tornozelo
me bisa na divisa de poetisa
bendengó bisavó
me faz bem
refém de harém
amém neném
me recomenda
emenda de traição
rejeição de repartição
me trata com bravata
perfuração de gravata
me bagunça etiqueta
sou maneta zureta ranheta
me admira estatura
leitura de amamentar
me toca
tomada de pó pomada pomes
me profana
sou desumana descrente
sem dente dublê dossiê
me arrota
na compota
na nota de poliglota
me instiga
me castiga na liga
na lese no linho
me amarrota delicadeza
destreza dote


me derrota
na anedota

Em Mulheres em prosa e verso, Hoje Edições, Casca/Rio Grande do Sul, 2005