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.: Mauro Gama :.

Marcas

Não é a vida esse ondulado
vermelho
que salta ali de tenros amarelos
ou do frágil frescor de tantos verdes
nem o rosa aqui e ali marcado
de volúpia
nas propícias polpas
e nos risos
já se embarafustando em seus recessos nichos
de bichos sôfregos e
inimaginavelmente solitárias
florescências.
Nem a vida é ali a corte — e
o corte — dos seus profusos contrários
entre sinistros laboratórios
e destilarias
de licores perversos no vértice —
e no vórtice —
dos gnomos do abandono
dos despojos da luxúria
na distância do nojo no bojo
desses fermentos e ressentimentos
do lixo.
A vida sim é víscera visgo vesgas
percepções de desastre
mas não é assim não é o sim assim
que ovula e avulta
por entre os dedos e a luva:
vira uva vira vinho
do uno e único instante
de uma esperança
de uma logo perdida ou não
— mas sempre recomposta —
possibilidade.

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